HOJE <>

aqui vos escrevo, ó pequenino,

Nascestes assim e viveréis,
Sozinho aqui e lá, sal e brisa,
Rezo para que o horizonte me acorde.

Ando sem rumo, em meus complexos,
Que faço eu nesta era?
Por que os barcos cessaram?
Onde está minha mãe?

Perdi-me no momento em que neguei,
Não sou tão vil a ponto disso.
Pela janela azul, ouço os animais,
No quarto, não ouço o silêncio.

Preciso libertar-me da permanência,
Sorrir com o brilho que me foi dado,
A cada dia mais sério e eficaz,
Há mudanças que não ressoam.

Cada toque, cada ritmo do violão,
Queria ser visto por mim mesmo.
O ontem falou-me com palavras,
Vivei e transformai o poder de vosso hoje.


Wlielton Martins

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